ÁREAS: Perturbação do espetro do autismo

O Autista no Contexto Escolar

Proporcionar às crianças com autismo oportunidades de conviver com outras da mesma faixa etária possibilita o estímulo às suas capacidades interativas, impedindo o isolamento contínuo. Além disso, as competências sociais são passíveis de serem adquiridas pelas trocas que acontecem no processo de aprendizagem social. Entretanto, esse processo requer respeito pelas singularidades de cada criança. As crianças com desenvolvimento típico fornecem, entre outros aspetos, modelos de interação para as crianças com autismo, ainda que a compreensão social destas últimas seja difícil (CAMARGO, 2009).

O convívio compartilhado da criança com autismo na escola, a partir da sua inclusão no ensino comum, torna possível o contato social e favorece não só o seu desenvolvimento, mas o das outras crianças, na medida em que estas últimas convivam e aprendam com as diferenças.
Devido às dificuldades apresentadas, nas áreas sociais e cognitivas, compreende-se que os alunos autistas precisam de um ambiente organizado, com adaptações planeadas, com ações que configurem em rotina e que favoreçam a sua compreensão.
Tenho um grupo de três alunos autistas na faixa etária entre 12 e 15anos.
A intervenção com estes alunos tem como objetivo principal promover o seu desenvolvimento social, estimular o desenvolvimento da linguagem, diminuir comportamentos desajustados, promover a aprendizagem geral, apoiar a família, visando aumentar ações da vida diária com maior desenvoltura e uma posterior integração na sociedade.
É implementado um ensino estruturado dentro da sala de aula, organizado por espaços, onde se desenvolve o trabalho individual e em grupo, a Área do computador onde são executados exercícios com orientação, melhorando a coordenação óculo-manual e a comunicação, a Área do aprender onde se promove a atenção e a concentração, a Área do trabalho de grupo onde fazem atividades conjuntas, atividades expressivas e de interação social: modelagem, pinturas, recorte, colagem, enfiamentos, audição de histórias, execução de materiais para dramatização de algumas histórias, jogos e puzzles, a Área do lazer, onde relaxam e controlam os comportamentos estereotipados, a Área de transição, que se realiza em vários momentos do dia, fazendo a sequência do tempo, antes e depois da exploração dos objetos, os calendários e o iniciar de atividades.
Todo o trabalho é baseado em rotinas diárias, tais como: pendurar o casaco, conversação, rotina da higiene, do lanche, do almoço e da saída.
A sala exibe cartazes informativos alusivos às refeições do dia, estado do tempo, aniversários, calendário, estação do ano e épocas festivas bem como as atividades da semana: os dias em que vão à turma assistirem às aulas de Educação Visual, Educação Tecnológica, Educação Física, Educação Moral e Religiosa, Tecnologias de Informação e Comunicação e Educação para a Cidadania.
Desenvolve-se a construção frásica através dos símbolos SPC no que diz respeito às suas rotinas diárias. Pretende-se que fiquem, assim, a reconhecer um número elevado de símbolos significativos, a realizar escolhas, adquirindo autonomia para a realização de certas tarefas, principalmente na produção oral de frases com sujeito, verbo e objeto (Eu vou…, Eu quero…, Eu gosto…, Hoje é…, Eu tenho…, Eu vejo).
Todo este trabalho visa criar um espaço para a alegria, estimular os sentidos para o entendimento e representação de si próprio e da realidade, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento harmonioso da personalidade de cada aluno.
O resultado é satisfatório, os alunos inferem novos conhecimentos, adquirem regras de comportamento, melhoraram o seu nível motivacional e estabeleceram laços de afetividade e proximidade com vários elementos da comunidade escolar, o que facilita a sua autonomia, comunicação e integração.

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